15 de nov. de 2010

perseverar para ganhar a vida!!!

   As cenas do evangelho deste domingo revelam a tentação de anunciar o fim próximo do mundo. Diante da realidade sombria em que vivemos, muitos pretendem até marcar a data do fim catastrófico do cosmos. Há até os que lucram em cima disso. No entanto, o fim de tudo não será determinado pelos homens, mas por Deus, Senhor da história. Será que o evangelho quer de fato anunciar o fim do mundo?
   Na verdade, ele vem questionar nosso modo agressivo de nos relacionar com os outros e nossa ação perversa contra a natureza. As catástrofes naturais e sociais são cada vez mais violentas e são fruto também das opções da humanidade. Deus organizou o cosmos do caos, e nós transformamos o cosmos em caos, a harmonia estabelecida na criação foi quebrada pelo pecado da sociedade. portanto, nossa mudança de comportamento em relação aos outros e a natureza é condição para que volte a haver equilíbrio na desordem em que estamos imersos - enquanto ainda há tempo.
   Jesus veio e anunciou novo reinado, nova harmonia cósmica. Para que se estabeleça, é preciso destruir muitas modalidades de egoísmo, derrubar muros vergonhosos e mentalidades caducas, pôr abaixo sistemas opressores, adotar postura de cooperação em relação aos outros e a natureza. Somente assim o novo céu e a nova terra serão possíveis. O reino proposto por Jesus não combina com o que estamos presenciando e vivendo - e que foi instituído pela humanidade. Não é o cosmos todo que deve ser destruído, mas este mundo injusto e violento.
   O mundo novo por todos desejado já começou com Jesus, mas sua manifestação será lenta e penosa. Sua aparição será será semelhante a um parto, que envolve sacrifício e dor. Não devemos nos preocupar com "quando" acontecerá a destruição ou o fim do universo, mas sim em "como" superar a injustiça, a fome, a miséria, a violência que afligem homens e mulheres. Para mudar essa situação, é preciso muito empenho e perseverança, e somente quem perseverar ganhará a vida.


   Pe. Nilo Luza, ssp 
   
       

14 de nov. de 2010

Domingo, o dia do Senhor!
Por ACI Digital 



Nos últimos anos, o tema do domingo foi indevidamente transformado num “problema”, não apenas no plano religioso, mas nos planos social, político e econômico. Quando procuramos examinar essa questão, não entram em causa somente a vivência da fé e o compromisso propriamente pastoral, mas toda a complexidade do tecido social.

Diante disto, comecemos por perguntar nos: Como entender realmente o domingo? O que é?


  
O Catecismo da Igreja Católica (CIC) diz-nos: “Devido à tradição apostólica que tem origem no próprio dia da Ressurreição de Cristo, a Igreja celebra o mistério pascal a cada oitavo dia, no dia chamado com razão dia do Senhor ou domingo. O dia da Ressurreição de Cristo é ao mesmo tempo «o primeiro dia da semana», memorial do primeiro dia da Criação, e o «oitavo dia», em que Cristo, depois do seu «repouso» do grande sábado, inaugura o dia «que o Senhor fez», o «dia que não conhece ocaso». A «Ceia do Senhor» é o seu centro, pois é aqui que toda a comunidade dos fiéis se encontra com o Senhor ressuscitado, que os convida para o seu banquete <...>. Para os cristãos, tornou-se o primeiro de todos os dias, a primeira de todas as festas, o dia do Senhor («Hé kyriaké hemera», «dies dominica»), o «domingo»” (CIC, ns. 1166 e 2174). Foi graças à Ressurreição do Senhor que o domingo foi estabelecido como dia privilegiado, como dia da Reconciliação. 

Apesar disso, há quem critique fortemente a Igreja Católica por ter “mudado” o preceito bíblico do descanso sabático: ao tomar a liberdade de converter o domingo no Dia dos dias, no Dia principal, estaria “substituindo o ensinamento divino por preceitos humanos”. Será verdade? 

Para responder a essa crítica, repassemos rapidamente o Gênesis para podermos entender o significado do sábado: Tendo Deus terminado no sétimo dia a obra que tinha feito, descansou do seu trabalho. Abençoou o sétimo dia e o consagrou, porque nesse dia havia repousado de toda a obra da Criação (Gên 2, 2 3). Mais tarde, no Monte Sinai, esse dia voltou a ser declarado Dia Santo e dia de descanso, pois devia ser um dia destinado a recordar a Aliança – a antiga Aliança – de Deus com o seu povo: Lembra-te de santificar o dia de sábado <shabbat, “descanso”>. Trabalharás durante seis dias, e farás toda a tua obra. Mas no sétimo dia, que é um dia de repouso em honra do Senhor teu Deus, não farás trabalho algum (Êx 20, 8 10).

Os elementos que podemos extrair do relato da Criação na Sagrada Escritura são, pois, os seguintes:

a. É o último dia da Criação, um Dia santo e santificado por Deus. O dia do descanso é “abençoado” e “consagrado” por Deus, ou seja, separado dos outros dias para ser dentre todos o dia do Senhor. É um dia para se ocupar das coisas santas, não das profanas. Trabalhar seria, para o judeu, “profanar” o dia santo.

b. É um dia de libertação. O sábado é estabelecido como sinal de libertação no Monte Sinai (cfr. Deut 5, 15), pois Javé quer que o seu Povo comemore nesse dia a sua libertação do Egito pelo poder divino. 

c. É um dia consagrado a Javé. O Senhor do sábado é Javé: os judeus o chamavam o dia de Javé, o dia consagrado ao Senhor (cfr. Êx 16, 23 25). 

Depois disto, alguém ainda poderá perguntar se há oposição entre o que se diz no Antigo Testamento e o domingo católico? Todos os elementos que acabamos de ver encontram a sua plenitude na vinda do Senhor Jesus. Seja-nos permitida uma analogia, tendo presentes as evidentes limitações de toda a comparação entre as coisas divinas e as humanas: o sábado é como uma televisão em preto e branco, na qual se via corretamente a imagem, o significado divino; já o domingo é como uma televisão a cores, em que vemos a mesma imagem, mas de maneira mais plena e com muito mais detalhes.

O domingo, portanto, mais do que uma “substituição” do sábado, é o seu cumprimento perfeito e a sua plena realização no plano da História da Salvação, cujo cume se encontra em Cristo. O Papa João Paulo II diz na Carta Apostólica Dies Domini: “Aquilo que Deus realizou na Criação e o que fez pelo seu povo no Êxodo, encontrou na Morte e Ressurreição de Cristo o seu cumprimento <...>. Em Cristo realiza-se plenamente o sentido «espiritual» do sábado, como sublinha São Gregório Magno: «Nós consideramos o verdadeiro sábado a Pessoa do nosso Redentor, nosso Senhor Jesus Cristo»” (Dies Domini, n. 18).

Vejamos alguns elementos que compõem esse significado mais rico do domingo: 

a. Jesus Cristo é o Senhor do sábado. Os judeus enfureciam-se contra Jesus porque trabalhava no sábado curando as pessoas (cfr. Mc 3, 1), e Ele defendia-se ensinando que era Senhor do sábado (cfr. Mc 2, 23-28). Com o seu exemplo, ensina que no sábado podemos muito bem trabalhar fazendo o bem aos outros, porque a caridade não tem tempo, está acima de todos os outros mandamentos. 

b. O domingo é o dia da fé, destinado a confessar que Jesus é o Senhor (1 Cor 12, 3). Cristo, ao declarar-se Senhor do sábado, reivindicava também um título divino, e por isso os fariseus queriam matá lo. O domingo é o dia em que os cristãos confessam a divindade e o senhorio de Cristo; aliás, foi num domingo que São Tomé confessou a divindade e o senhorio de Cristo: Meus Senhor e meu Deus (cfr. Jo 20, 26 28). Ao mudar o dia do culto, confessamos que Jesus é Deus e Senhor do tempo e da História. 

c. Deus continua a trabalhar. O Antigo Testamento diz que Javé descansou de toda a obra criadora; o Novo revela-nos que Deus continua a trabalhar (cfr. Jo 5, 17). Se continua a trabalhar, isso quer dizer que a obra de Deus não acabou no sábado. O pecado de Adão introduziu a desordem no mundo, e era necessário mais um dia de “trabalho” para consertá-lo; assim, há também necessidade de um novo dia de descanso. 

d. É um novo dia. Com Cristo, inaugura-se um tempo novo e definitivo. Ele é o Alfa e o Ômega – a primeira e a última letras do alfabeto grego –, assim como o domingo é o primeiro dia da semana e o último da Criação. A Sagrada Escritura chama-lhe, e a Igreja o proclama, dia do Senhor (cfr. Apoc 1, 8.10).

e. Anuncia a nova Criação. Já com o profeta Isaías predizia-se uma nova criação (cfr. Is 65, 17). E qual é? A nova Criação inicia-se com a Ressurreição de Cristo, primogênito dentre os mortos, princípio do novo mundo redimido no seu Sangue (cfr. Col 1, 18). 

Por último, que fique bem claro que o domingo, “o dia do Senhor, o dia da Ressurreição, o dia dos cristãos, é o nosso dia. É por isso que se chama dia do Senhor: pois foi nesse dia que o Senhor subiu vitorioso para junto do Pai. Se os pagãos o denominam dia do sol, também nós o confessamos de bom grado: pois hoje levantou se a luz do mundo, hoje apareceu o Sol de justiça cujos raios trazem a salvação” (São Jerônimo, citado no CIC, n. 1166). 
 
  
ACI Digital
Fonte: Aciprensa
Link: http://www.aciprensa.com

13 de nov. de 2010

pastoral de rua!!!

AMAR-TE NO MEU IRMÃO É AMAR-TE MAIS!!!!


Meu coração é Teu, Senhor
Nada nos separará 
Nem mesmo as quedas, minha lentidão,  podem nos separar.
Sou todo teu, amado meu. Quem ousará em nos separar?
Vão nos separar, pois sou todo Teu.
Sou todo Teu, amado meu. Quem ousará em nos separar?
Nem a morte, a perseguição, a angústia, a desolação vão nos separar.


Nada nos separará...

12 de nov. de 2010




DANÇA” LITÚRGICA - A LITURGIA “DANÇADA”
Louvem seu nome com danças (Salmo 149,3); Louvai-o com dança e tambor...(Salmo 150,4)

No documento A Liturgia Romana e a Inculturação da Congregação para o Culto Divino (1994) lemos sob o n. 42 "Em certos povos, o canto é instintivamente acompanhado do bater de mãos, de movimentos ritmados e de passos de dança dos participantes”.

Pelo seu jeito natural de ser, certos povos costumam acompanhar o canto com gestos do corpo, bater das mãos, movimentos ritmados e passos de dança. Neste caso, acrescenta o documento, poderão fazer o mesmo na liturgia, não para fazer “show” mas como jeito cultural de orar e celebrar.

“Tais formas de expressão corporal podem ter lugar na ação litúrgica desses povos, na condição de serem sempre expressão de uma verdadeira e comum oração de adoração, de louvor, de oferta ou de súplica e não mero espetáculo" (ibidem)

Através do corpo e pelo corpo, a comunidade expressa louvor, adoração e súplica na liturgia. O texto inclui a dança como uma forma entre outras de expressão corporal. No caso da dança, não se trata evidentemente de introduzir danças de fora para dentro da liturgia, e sim de celebrar, não só com a voz do canto, mas também com o corpo e até movimentos ritmados de dança. É dançar a liturgia, é liturgia dançada; e não dança na liturgia!

Para ajudar a assembléia, uma equipe pode exercer o ministério da dança litúrgica. Para tanto, é claro, necessita uma formação específica: a) teórica: princípios de liturgia e dança, leitura orante dos textos da liturgia para entrar com o corpo na espiritualidade do domingo. b) prática: escolha/criação ou adaptação de passos que vão ajudar a comunidade a celebrar a partir das músicas escolhidas pela equipe de liturgia; ensaio e avaliação. Antes da celebração, há que se fazer um último ensaio em clima de oração. É desejável que os componentes deste ministério usem uma veste própria: distingue e acrescenta um ‘toque’ especial à beleza da celebração

Na Eucaristia, as procissões de entrada, evangelho e ofertas são momentos naturais para passos ritmados, enquanto que o Glória, Santo, Rito penitencial e Salmo responsorial permitem outro tipo de expressão oracional dançada.

Encontramos hoje dois estilos principais de dança litúrgica com variantes. 1. Os passos, os gestos das mãos e do corpo visam, sobretudo, acompanhar o ritmo da música. A inspiração vem das danças das culturas tradicionais, danças de grupo, repetidas, mais rituais. É o jeito de dançar na África e na Ásia, dos grupos indígenas, das danças folclóricas etc... 2. Passos e gestos procuram expressar o sentido do canto. A inspiração de base vem da dança clássica ou contemporânea. Está mais presente na América do Norte. É uma coreografia mais elaborada, pensada para comunicar sentimentos, teatral. Pode exigir uma formação mais profissional de bailarino(a) e sapatilhas. Uma variante no Brasil é a “expressão corporal” usada também com crianças. A coreografia simples procura dar expressão plástica a um Salmo, um Rito penitencial, etc.

A Dança litúrgica é uma possibilidade que exige discernimento e prudência pastoral, pois não temos ainda tradição de dançar a liturgia. É preciso escutar, respeitar as sensibilidades religiosas, ter a humildade de reconhecer os erros para procurar fazer melhor. Se a dança for capaz de expressar interioridade a beleza, ajudará a celebrar melhor abrindo os corações para o mistério de Cristo que se faz presente nos sinais da celebração.


Jacques Trudel, - Revista Liturgia Art. 41 - CNBB


blogs