9 de mar. de 2014

Quaresma, a luta contra o pecado


Se não fizerdes penitência, todos perecereis



Desde o início do Cristianismo a Quaresma marcou para os cristãos um tempo de graça, oração, penitência e jejum, com o objetivo de se chegar à conversão. Ela nos faz lembrar as palavras de Jesus: “Se não fizerdes penitência, todos perecereis” (Lc 13,3). Se não deixarmos o pecado, não poderemos ter a vida eterna em Deus; logo, a atividade mais importante é a nossa conversão, renunciar ao pecado.
Nada é pior do que o pecado para a vida do homem, da Igreja e do mundo, ensina a Igreja; por isso Cristo veio, exatamente, “para tirar pecado do mundo” (cf. Jo 1, 29). Ele é o Cordeiro de Deus imolado para isso.
São Paulo insiste: “Em nome de Cristo vos rogamos: reconciliai-vos com Deus!” (2 Cor 5, 20); “exortamo-vos a que não recebais a graça de Deus em vão. Pois ele diz: Eu te ouvi no tempo favorável e te ajudei no dia da salvação (cf Is 49,8). Agora é o tempo favorável, agora é o dia da salvação” (2 Cor 6, 1-2).
A Quaresma nos oferece, então, esse “tempo favorável” para deixarmos o pecado e voltarmos para Deus. E para isso fazemos penitência. O seu objetivo não é nos fazer sofrer ou nos privar de algo que nos agrada, mas ser um meio de purificação de nossa alma. Sabemos o que devemos fazer e como viver para agradar a Deus, mas somos fracos; a penitência é feita para nos dar forças espirituais na luta contra o pecado.
A melhor Penitência, sem dúvida, é a do Sacramento que tem esse nome. Jesus instituiu a Confissão em Sua primeira aparição aos discípulos, no mesmo domingo da Ressurreição (cf. Jo 20,22) dizendo-lhes: “A quem vocês perdoarem os pecados, os pecados estarão perdoados”. Não há graça maior do que ser perdoado por Deus, estar livre das misérias da alma e estar em paz com a consciência.
Além do Sacramento da Confissão a Igreja nos oferece outras penitências que nos ajudam a buscar a santidade: sobretudo as recomendadas por Jesus no Sermão da Montanha (cf. Mt 6,1-8): “O jejum, a esmola e a oração”, chamados pela Igreja de “remédios contra o pecado”.
Cristo jejuou e rezou durante quarenta dias (um longo tempo) antes de enfrentar as tentações do demônio no deserto e nos ensinou a vencê-lo pela oração e pelo jejum. Da mesma forma, a Igreja quer ensinar-nos como vencer as tentações de hoje. Vencemos o pecado praticando a virtude oposta a ele. Assim, para vencer o orgulho, devemos viver a humildade; para vencer a ganância devemos dar esmolas; para vencer a impureza, praticar a castidade; para vencer a gula, jejuar; para vencer a ira, aprender a perdoar; para vencer a inveja, ser bom; para vencer a preguiça, levantar-se e ajudar os outros. Essas são boas penitências para a Quaresma.
Todos os exercícios de piedade e de mortificação têm como objetivo livrar-nos do pecado. O jejum fortalece o espírito e a vontade para que as paixões desordenadas (gula, ira, inveja, soberba, ganância, luxúria, preguiça) não dominem a nossa vida e a nossa conduta.
A oração fortalece a alma no combate contra o pecado. Jesus ensinou: “É necessário orar sempre sem jamais deixar de fazê-lo” (Lc 18,1b); “Vigiai e orai para que não entreis em tentação” (Mt 26,41a); “Pedi e se vos dará” (Mt 7,7). E São Paulo recomendou: “Orai sem cessar” (I Ts 5,17).
A Palavra de Deus nos ensina: “É boa a oração acompanhada do jejum e dar esmola vale mais do que juntar tesouros de ouro, porque a esmola livra da morte, e é a que apaga os pecados, e faz encontrar a misericórdia e a vida eterna” (Tb 12, 8-9).
“A água apaga o fogo ardente, e a esmola resiste aos pecados” (Eclo 3,33). “Encerra a esmola no seio do pobre, e ela rogará por ti para te livrar de todo o mal” (Eclo 29,15).
Então, cada um deve fazer na Quaresma um “programa” espiritual: fazer o jejum que consegue (cada um é diferente do outro); pode ser parcial ou total. Pode, por exemplo, deixar de ver a TV, deixar de ir a uma festa, a uma diversão, não comer uma comida de que gosta ou uma bebida; não dizer uma palavra no momento de raiva ou contrariedade, não falar de si mesmo, dar a vez aos outros na igreja, na fila, no ônibus; ser manso e atencioso com os outros, perdoar a todos, dormir um pouco menos, rezar mais, ir à Santa Missa durante a semana... Enfim, há mil maneiras de fazer boas penitências que nos ajudam a fortalecer o espírito para que ele não fique sufocado e esmagado pelo corpo e pela matéria.
A penitência não é um fim em si mesma; é um meio de purificação e santificação; por isso deve ser feita com alegria.

12 de set. de 2013

Jesus e o caminho, a verdade e a vida!

"Só a palavra de Deus e o fundamento de toda a realidade, e estável como o céu e mais que o céu, e a realidade. Portanto, devemos mudar nosso conceito de realismo. Realista e quem reconhece a palavra de Deus, nesta realidade aparentemente tão frágil, o fundamento de tudo." ( Papa Bento XVI)
Observe essa afirmação do Papa Bento XVI. Ela e muito oportuna e importante para conhecer a verdadeira fé. E a nossa base e garantia de uma doutrina sadia e a palavra de Deus. O mundo hoje sofre uma overdose de palavras que não fazem o homem chegar a lugar nenhum, a não ser numa existência sem sentido,  vazia, frágil e doente. Você não quer viver assim, não e mesmo?
O ensinamento e experiência que não estão de acordo com o evangelho pregado, interpretado e ensinado pela Igreja Católica e denominado falsa doutrina. A Igreja recebeu de Jesus o poder e a autoridade de ser a guardiã do patrimônio da fé : a Palavra, a tradição,  o Magistério, os Sacramentos, a Liturgia, etc.

Mateus 16, 18-19
E eu te declaro: tu és Pedro, e sobre essa pedra dedicarei a Minha Igreja; as portas do inferno não prevalecerao contra ela. Eu te darei as chaves do Reino dos Céus,  e tudo o que ligares na terra será ligado no céu, e tudo o que desligarem na terra será desligado no céu.

João 14,4-5
E vós conheceis o caminho para ir para onde vou.
Disse-lhe Tome: Senhor não sabemos para onde vais. Como podemos conhecer o caminho?

O amor de Deus não muda. Mesmo quando somos fracos e infieis as decisões de Jesus não mudam a nosso respeito! Ele continua a nos amar e a querer que vivamos na luz. Ele nos deu Seu Espírito Santo para nos santificar e nos dá a força de crer e viver Sua palavra. 
Nas palavras que acabamos de ler e meditar, e notável o quanto Jesus se antecipou em nos esclarecer acerca da confusão do nosso tempo no que diz respeito a tantas filosofias, denominações, instituições, etc., que afirmam serem elas o caminho, a verdade e a vida.
Mateus 16,18-19 mostra Jesus confiando Sua Igreja a Pedro, que ao longo dos anos, foi sucedido por vários Papas eleitos pelo Espírito através dos cardeais.
Em João 14,4-5, Tome, um daqueles que amava e andava com Jesus publicamente,  perguntou a Jesus qual seria o caminho para o céu,  e Jesus responde que Ele e o caminho, a verdade e a vida.

9 de set. de 2013

Mês da Bíblia


Setembro é o mês da Bíblia, sendo que no último domingo comemora-se o Dia Nacional da Bíblia
Por amandda em 05/09/2013






Reflexões de Dom Orani João Tempesta,O.Cist., arcebispo do Rio de Janeiro

O mês de setembro chega trazendo a Primavera em nosso hemisfério e, junto com a beleza do tempo, o tema da Sagrada Escritura. O fato de celebrarmos, no dia 30 de setembro, o dia do patrono dos estudos bíblicos, São Jerônimo, fez com que pudéssemos aprofundar esse tema durante este mês. Setembro é o mês da Bíblia, sendo que no último domingo comemora-se o Dia Nacional da Bíblia.

A cada ano, a Igreja do Brasil trabalha um tema. Estamos aprofundando o tema do discipulado e da missionariedade à luz do evangelho lido aos domingos, neste ano, São Lucas. Aqui em nossa Arquidiocese, o fato de a catequese apresentar nas paróquias e nos vicariatos a “feira bíblica” tem mais de 25 anos de tradição. Uma maneira renovada das crianças aprofundarem seus estudos e partilharem com os visitantes da feira.

Outro belo momento é o que vivemos neste final de semana: a assembleia dos círculos bíblicos! Um dia feriado para marcar nossa vida arquidiocesana: partilharmos a experiências dos círculos bíblicos e aprofundar o tema anual por vicariatos. Os círculos bíblicos são sementes das comunidades que formam as paróquias como rede de comunidades.

Este dia será também a oportunidade que o Papa Francisco pediu para vivermos em oração e jejum pela paz! É véspera da festa da Natividade de Nossa Senhora, que, neste ano, pelo fato de cair no domingo não será celebrada. Uma tradição antiga na vida monástica faz de cada véspera de uma festa mariana um tempo de oração, penitência e jejum. E neste ano com uma motivação a mais: a Paz!

Sem dúvida que para tudo isso a leitura orante da bíblia ou a lectio divina aos poucos vai entrando na realidade de nosso povo, que passa a colocar a Palavra de Deus como início da reflexão que vai iluminar a realidade das pessoas. São passos que pouco a pouco os grupos e comunidades começam a dar. Sempre em torno da Sagrada Escritura. Ela nos traz a revelação de Deus para a nossa salvação.

Na sua misericórdia e sabedoria, quis Deus nos revelar-se a si mesmo na pessoa de Cristo e pela unção do Espírito Santo, para que tivéssemos acesso a Ele e participássemos de sua glória.

Deus se revela ao homem e o convida a partir para uma terra desconhecida que lhe seria mostrada. E nessa caminhada Deus vai se mostrando, vai se revelando aos que creem e, quando é chegado o tempo, a revelação se completa em Cristo, a Palavra de Deus: “No principio era a Palavra e a Palavra estava em Deus, e a Palavra era Deus… E esta Palavra se fez carne e veio morar entre nós” (Jo, 1)

Por Cristo, somos glorificados! E todos que recebemos a Palavra, e nela acreditamos nos tornamos filhos de Deus. Este caminho Deus faz conosco. Respeita o nosso crescimento intelectual e volitivo, seja na nossa capacidade pessoal, seja na evolução cultural do grupamento humano, de tal forma que podemos sentir em nós mesmos a caminhada do povo de Deus.

À medida que nos abrimos à fé, partimos com Ele nos momentos de contemplação, de glória e, também, como as Escrituras nos mostram, nas traições, quando renunciamos a seu amor e vamos atrás dos “baals” de todos os tempos. Ouvindo a voz penitencial dos profetas, retornamos da “Babilônia” do pecado, que existe em todos os tempos e, também, no íntimo de nós.

Na bondade de Deus, como um resto, voltamos a “Sião”, sempre aguardando a plena revelação de Deus no seu Filho, que nos salva por sua morte e nos dá o seu Espírito para que anunciemos em nós e em toda terra a sua ressurreição e nossa participação no mistério trinitário de Deus

A Bíblia Sagrada, com toda a Tradição da Igreja, em seguimento à Palavra de Cristo revela ao nosso coração este plano divino para a humanidade – restaurar tudo em Cristo – e nos envia: “Ide por todo o mundo, proclamai o Evangelho a toda a criatura. Aquele que crê e for batizado será salvo; o que não crer será condenado. (Mc. 16-15).

A Bíblia é o relato da manifestação do amor de Deus que, gradativamente, nos leva por Cristo, em Cristo e com Cristo à intimidade da vida divina e, como consequência, a uma nova vida, fermento de um mundo novo.

Somos o povo que se encontra com a Palavra Viva, o Verbo Eterno, Jesus Cristo! Ele é a nossa vida e o caminho que nos conduz ao Pai. Eis um tempo favorável para aprofundarmos a importância de ser discípulos missionários à luz do Evangelho de Lucas, procurando em nossos grupos de reflexão deixar a Palavra falar ao nosso coração e nos fazer renovados em Cristo.

A Primavera está associada à Pascoa: a certeza da vida que vence a morte! Que o mês da Bíblia, recém-iniciado, seja uma nova primavera: a certeza da vida que renasce e se abre, vencendo a morte e o pecado.

Por † Orani João Tempesta, O. Cist.

Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro, RJ

21 de fev. de 2013

PAPA BENTO XVI, TESTEMUNHO VIVO DE FÉ!!!!



"Tenho 23 anos e ainda não entendo muitas coisas. E há muitas coisas que não se podem entender as 8h da manhã quando te acordam para dizer em poucas palavras: “Daniel, o papa renunciou.” Eu apressadamente contestei: “Renunciou?”. A resposta era mais que óbvia, “Renunciou, Daniel, o papa renunciou!”.

O papa renunciou. Assim amanheceu escrito em todos os jornais, assim amanheceu o dia para a maioria, assim rapidamente alguns tantos perderam a fé e outros muitos a reforçaram. Poucas pessoas entendem o que é renunciar.

Eu sou católico. Um de muitos. Desses que durante sua infância foi levado à missa, cresceu e criou apatia. Em algum ponto ao longo da estrada deixei pra lá toda a minha crença e a minha fé na Igreja, mas a Igreja não depende de mim para seguir, nem de ninguém (nem do Papa). Em algum ponto da minha vida, voltei a cuidar da minha parte espiritual e assim, de repente e simplesmente, prossegui um caminho no qual hoje eu digo: Sou católico. Um de muitos sim, mas católico por fim. Mas assim sendo um doutor em teologia, ou um analfabeto em escrituras (desses que há milhões), o que todo mundo sabe é que o Papa é o Papa. Odiado, amado, objeto de provocações e orações, o Papa é o Papa, e o Papa morre sendo Papa. Por isso hoje quando acordei com a notícia, eu, junto a milhões de seres humanos, nos perguntamos “por que?”. Por que renuncia senhor Ratzinger? Sentiu medo? Sentiu a idade? Perdeu a fé? A ganhou? E hoje, 12 horas depois, creio que encontrei a resposta: O senhor Ratzinger renunciou toda a sua vida.

Simples assim.

O papa renunciou a uma vida normal. Renunciou ter uma esposa. Renunciou ter filhos. Renunciou ganhar um salário. Renunciou a mediocridade. Renunciou as horas de sono pelas horas de estudo. Renunciou ser só mais um padre, mas também renunciou ser um padre especial. Renunciou preencher a sua cabeça de Mozart, para preenchê-la de teologia. Renunciou a chorar nos braços de seus pais. Renunciou a, tendo 85 anos, estar aposentado, desfrutando de seus netos na comodidade de sua casa e no calor de uma lareira. Renunciou desfrutar de seu país. Renunciou seus dias de folga. Renunciou sua vaidade. Renunciou a defender-se contra os que o atacavam. Sim, isso me deixa claro que o Papa foi, em toda sua vida, muito apegado à renuncia.

E hoje, voltou a demonstrar. Um papa que renuncia a seu pontificado quando sabe que a Igreja não está em suas mãos, mas nas mãos de alguém maior, parece ser um Papa sábio. Nada é maior que a Igreja. Nem o Papa, nem seus sacerdotes, nem os laicos, nem os casos de pedofilia, nem os casos de misericórdia. Nada é maior que ela. Mas ser Papa nesse tempo do mundo, é um ato de heroísmo (desses heroísmos que acontecem diariamente em nosso país e ninguém nota). Recordo sem dúvida, as histórias do primeiro Papa. Um tal... Pedro. Como morreu? Sim, em uma cruz, crucificado igual ao teu mestre, mas de cabeça para baixo. Hoje em dia, Ratzinger se despede de modo igual. Crucificado pelos meios de comunicação, crucificado pela opinião pública e crucificado pelos seus irmãos católicos. Crucificado pela sombra de alguém mais carismático. Crucificado na humildade que tanto dói entender. É um mártir contemporâneo, desses que se pode inventar histórias, a esses que se pode caluniar e acusar a vontade, que não respondem. E quando responde, a única coisa que faz é pedir perdão. “Peço perdão pelos meus defeitos”. Nem mais, nem menos. Quanta nobreza, que classe de ser humano. Eu poderia ser mórmon, ateu, homossexual e abortista, mas ver uma pessoa da qual se dizem tantas coisas, que recebe tantas críticas e ainda responde assim... esse tipo de pessoa, já não se vê tanto no mundo.

Vivo em um mundo onde é engraçado zombar o Papa, mas que é um pecado mortal zombar um homossexual (e ser taxado como um intolerante, fascista, direitista e nazista). Vivo em um mundo onde a hipocrisia alimenta as almas de todos nós. Onde podemos julgar um senhor de 85 anos que quer o melhor para a Instituição que representa, mas lhe indagamos com um “Com que direito renuncia?”. Claro, porque no mundo NINGUÉM renuncia a nada. Ninguém se sente cansado ao ir pra escola. Ninguém se sente cansado ao ir trabalhar. Vivo um mundo onde todos os senhores de 85 anos estão ativos e trabalhando (sem ganhar dinheiro) e ajudam às massas. Sim, claro.

Mas agora sei, senhor Ratzinger, que vivo em um mundo que vai sentir falta do senhor. Em um mundo que não leu seus livros, nem suas encíclicas, mas que em 50 anos se lembrará como, com um simples gesto de humildade, um homem foi Papa, e quando viu que havia algo melhor no horizonte, decidiu partir por amor à sua Igreja.                 MUITO OBRIGADO BENTO XVI PELO SEU SIM, MESMO QUE PRA MUITOS PAREÇA UM NÃO, RECONHECEMOS TEU AMOR POR NÓS!!!!

17 de fev. de 2013

Igreja recebe com fé renúncia do Papa, diz Dom Murilo



Em entrevista à Canção Nova, Dom Murilo Krieger, Arcebispo de São Salvador da Bahia e Primaz do Brasil, fala como a Igreja recebe a notícia da apresentação da renúncia do Papa Bento XVI. O Arcebispo conta ainda a impressão que teve sobre sua saúde ao encontrá-lo há um mês em Roma, destaca que Bento XVI tomou essa decisão em total e sã consciência e orienta os fiéis sobre a postura que devem ter agora.


- Como a Igreja recebe a notícia da renúncia do Papa Bento XVI?

Dom Murilo Krieger - Está recebendo com o mesmo espírito de fé com que Bento XVI tomou essa decisão, afinal a Igreja é do Pastor supremo Nosso Senhor Jesus Cristo, Ele que é responsável pela Igreja, Ele que chamou Bento XVI para ser sucessor de Pedro e certamente foi diante d'Ele que Bento XVI tomou uma decisão que não deve ter sido fácil para ele. Mas ele mesmo disse que não basta o vigor espiritual, há necessidade do vigor do corpo e ele disse ter notado que esse vigor tem diminuido nos últimos meses de tal modo que tem que reconhecer sua incapacidade para administrar bem o ministério que lhe foi confiado. Eu vejo no gesto do Papa um gesto de humildade, de reconhecimento da limitação e fé porque a Igreja é de Jesus Cristo e ao mesmo tempo de amor. Para mim, particularmente é muito doloroso porque tenho um carinho imenso por ele e estive com ele, cumprimentei-o, praticamente um mês atrás, dia 9 de janeiro, no final de uma Audiência Geral.



- Nesta ocasião como estava a saúde do Papa?

Dom Murilo Krieger - Estava melhor do que no Natal. Ele entrou andando normalmente e falou com aquela voz de um homem que tem 85 anos, mas estava bem, nas fotos tiradas aquele dia vejo o rosto dele bem. Ele perguntou sobre Salvador, fez perguntas que me mostrou que ele estava bem, estava bem consciente, agora a decisão surpreendeu até os assessores mais próximos. Ele deve ter pensado: " olha, eu tenho que renunciar numa hora em que eu tenho condições, que a Igreja pode com tranquilidade escolher o sucessor de Pedro" e eu vejo assim, se ele fez isso, não foi o primeiro, foi o quarto Papa a renunciar o cargo, fez isso em espírito de fé, ele deve ter pesado tudo, mas o que pesou mais mesmo no final, foi como ele disse, essa sua limitação.

Ele está consciente da gravidade desse ato, está em plena liberdade, por isso cabe-nos acolher a sua renúncia, mas acima de tudo, atender ao que ele pede no final: que peçamos a Maria Santíssima que assista com a sua bondade materna os padres e cardeais na eleição do Sumo Pontífice, então é o que nos cabe fazer. Por um lado agradecer a Deus pelo Papa que tivemos, que vai marcar a vida da Igreja, seus textos serão lidos, meditados daqui 200 anos, 500 anos, serão daqueles textos clássicos da Igreja. Seus livors sobre Jesus Cristo são os textos mais belos depois do Evangelho que eu vi sobre a pessoa do Senhor Jesus e essa herança que ele nos deixa é que a Igreja seja conduzida por alguém que tenha boa capacidade física.



- O senhor acredita que o Papa tenha alguma doença degenerativa? Tem surgido muitas especulações na imprensa.

Dom Murilo Krieger - Agora vem mil especulações, o que a gente nota é o seguinte, ele agora está com plena consciência, plena liberdade, o tempo que vai nos dizer, mas eu penso que acima de tudo, ele deve sentir o peso, eu imagino, a gente olha para nossa sociedade, as pessoas com 85 anos estão assim ... numa cadeira de rodas, são poucas, pouquíssimas que tem condições de trabalhar e ter a responsabilidade da Igreja no mundo todo, todo dia receber representantes de países, bispos, cada um levando problemas, realmente ele diz que é necessária uma força especial física que não está tendo. Ele sentiu que não tinha mais condições de acompanhar tudo e devia se sentir mal por isso.



- É importante ressaltar que o Papa tomou essa decisão em total e sã consciência não é verdade?

Dom Murilo Krieger - É isso, ele também deve ter visto a situação, ele acompanhou de perto a situação de João Paulo II que sofreu muito e depois no fim foi uma benção tudo, mas a gente sabe que mais uma situação daquela seria muito pesada para Igreja, ele pensou "eu vou tomar ] a decisão] enquanto eu tiver consciência de dizer que não posso mais governar a Igreja".



- O Povo de Deus, os fiéis como vamos nos comportar daqui pra frente até a eleição do novo Papa?

Dom Murilo Krieger - Começa agora um grande cenáculo com Maria. Esse foi o convite que o Papa fez, o último pedido dele, que peçamos a Maria sua mãe Santíssima que assista com sua bondade materna os padres cardeais na eleição do novo Sumo Pontífice. Com Maria, como fez a primeira comunidade lá em Atos 3, 15. Com Maria mãe de Jesus, vamos estar em oração, pedindo que seja escolhido aquele que está no coração do Bom Pastor e que o Senhor abençoe muito Bento XVI, tudo aquilo que ele fez, todo sofrimento que suportou nesses 8 anos de pontificado que o Senhor lhe dê muita força e sabedoria.

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